Clientes acumulam dívida avaliada em 1,4 mil milhões de kwanzas

O volume da dívida acumulada pelos clientes da Empresa de Água e Saneamento (EPAS) da província da Huíla, avaliado em cerca de 1,4 mil milhões de kwanzas, constitui um dos principais entraves à materialização de projectos com vista a melhoria do sistema de captação e distribuição regular de água potável às populações.

A informação foi avançada, no Lubango, pela Presidente do Conselho de Administração da referida Empresa, Domingas Tyikusse, dando conta de que o valor acima referido diz respeito ao consumo de água acumulado ao longo de vários anos por clientes do sector empresarial público e privado, numa altura que está em curso uma intensiva campanha de cobrança e negociação das dívidas.

Em declaração ao Jornal de Angola, a dirigente informou que, como resultado de acções de mobilização, o volume da dívida resultante do consumo de água potável por parte das instituições públicas reduziu, nos últimos meses, de 45 milhões para 16 milhões de Kwanzas, tendo sublinhado o interesse demonstrado pelas instituições em negociar a dívida e o desejo de celebrar novos contratos com a empresa.

Domingas Tyikusse asseverou que a empresa que dirige continua a trabalhar no sentido de reduzir para os níveis mais baixos o valor actual da dívida, embora ainda se deparem com ligeira resistência por parte de determinados clientes, mas reconhece, por outro lado, que muito dos quais, com dívidas avultadas, “já começam a negociar e a efectuar pagamentos”.

Vandalização de furos

A presidente do Conselho de Administração da Empresa Provincial de Águas e Saneamento (EPAS) da Huíla lamentou os actos de vandalização de vários furos que deixam mais de oito mil famílias dos bairros periféricos do Lubango sem fornecimento de água potável.

Domingas Tyikusse informou que, nos últimos tempos, os malfeitores vandalizaram 21 pontos de água, com o furto de bombas, painéis solares e o entupimento premeditado dos furos. A vandalização de activos da empresa, referiu, é preocupante e recorrente. Referiu que a acção dos malfeitores afecta equipamentos caros cuja reposição custa milhões de Kwanzas aos cofres do Estado.

“Temos verificado, com bastante preocupação, a sabotagem dos activos da empresa. A empresa recuperou 10 pontos de água com substituição por bombas manuais e os restantes estão paralisados. A maioria dos pontos vandalizados está sem as bombas e painéis solares”, disse.

Além do furto das bombas e placas solares, os malfeitores entulharam os furos impossibilitando a recuperação dos mesmos. Disse que a abertura de um ponto de água, incluindo montagem de todos os equipamentos necessários ao funcionamento do sistema, custa 25 milhões de Kwanzas.

“Estamos a falar de cerca de oito mil famílias que estão sem o precioso líquido. Dos 11 pontos paralisados, infelizmente cinco foram entupidos. Estes entupidos já não servem porque nos obriga a abrir novos pontos. A alternativa é colocar bombas eléctricas nas zonas onde existe energia da rede pública. Cada bomba eléctrica custa cerca de 2,5 milhões de Kwanzas”, lamentou.

Domingas Tyikusse afirmou que a Empresa está a trabalhar com as administrações dos bairros e comissões de moradores para juntar sinergias no sentido de redobrar a vigilância para prevenir actos de vandalização de mais furos de água.

Apela à denúncia da população para prevenir as constantes vandalizações, enquanto se estuda melhores mecanismos de proteger os equipamentos de cada ponto de água. Sublinhou que a parceria com o comando provincial da Polícia Nacional da Huíla é outra solução que evita a generalização da acção dos delinquentes.

JA